sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Compreender o medo...


As emoções caracterizam o ser humano. A forma como gere as emoções distingue-o de outros seres vivos. De onde surgem? Existem várias teorias para esclarecer a origem das mesmas. No entanto para o autoconhecimento não é o mais relevante

Texto: Ana Guerra
escrita sem Acordo Ortográfico

Emoção – Causada por um estímulo, interno ou externo; é algo que não se controla, é um processo automático. A gestão das emoções é uma aprendizagem, que nos leva a viver com menos sofrimento e logo, mais alegria.

Quando nasces os teus medos são simples e naturais, fazem parte do teu organismo, do que chamamos instinto. Ter medo de cair (de ouvir ruídos, ser abandonado). No entanto, cais e levantas-te; não alimentas esse medo. Usa essa estratégia que a Natureza te ensina de modo a que os medos se cinjam aos de sobrevivência. Todos os outros podem ter origem em situações que viveste ou outros que tu crias ou que ao teu redor é costume tê-los, e podes mudar isso. Viver sem ter algo que te apoquente.

COMO ACONTECE TER-SE MEDO?

- situações vividas, que fazem sentir receio, ansiedade; que foram traumatizantes:
- estórias que foram contadas com dramatismo e se acredita como verdade;
- falta de auto-estima;
- comportamentos que se copiam, aprendidos desde a infância;
- dores físicas, doenças;
- fruto da imaginação;
- de situações do futuro, em que se foque;
- preocupações.

A gestão de cada medo está relacionada com crenças, valores, atitudes que cada ser tem, e determinará as consequências de como viver o medo. Ao viver uma situação que nos traz receio, insegurança, ansiedade, tende-se a manter uma memória menos positiva, que volte a acontecer e o medo está criado. Da mesma forma se processa quando escutamos experiências vividas por outras pessoas, fica-se com receio que aconteça.

Existem diferentes estratégias de modo a diluir as emoções que bloqueiam a caminhada.
A falta de auto-estima quase sempre está associada a inseguranças, descrédito de si mesmo/a, trazendo medos de por exemplo não se conseguir passar num exame, de não conseguir ter um emprego, de não realizar um projecto, etc. O facto de não se conhecer, de ter expectativas muito altas, de usar de forma menos eficaz as suas próprias capacidades, leva à criação de medos. Todas as vias que assegurem o auto desenvolvimento são sugeridas como eficazes e sobretudo as com que cada um se sinta sintonizado/a.

O melhor caminho para a substituição de hábitos é, em primeiro lugar, conhecer-se, aceitar-se e identificar o que reconhece como fazendo parte do seu carácter, personalidade e o que efectivamente não faz parte.

QUE MEDOS TENS?

Alguns dos muitos exemplos referidos por vários participantes, ao serem confrontados com a questão: que medos tens?

Exemplos de medos: ter medo de chegar a velho e não ter vivido; medo duma velhice com demência; falta de saúde; medos dos patrões, de perder o trabalho, de decepcionar, do desconhecido, medo de ter medo; que aconteça algum mal à minha família, medo de terramotos; medo de não pagar as contas; medo de ficar sozinha/o; medo de ser traída, ser ridicularizado/a; ser abandonada; de não ter companheiro/a; da solidão; perder o controlo das situações; de ficar doente; de não ter onde viver; medo de ficar incapaz física e mentalmente na velhice; medo de não ter privacidade; etc. 

Para concluir, gostaria de vos deixar a resposta de um dos inquiridos que resume várias atitudes que podem ser escolhidas para se viver ao invés das que trazem dor e que resume o que poderia apresentar como um caminho assertivo e garantidamente com êxito.

Resposta de alguém que já não valoriza o medo:
«Medo… é algo que já ressoa pouco comigo há algum tempo, ele pode emergir casualmente, mas não o valorizo. Aprendi a desvalorizá-lo e tornei-o num padrão. E tudo se tornou mais fácil a partir do momento em que entendi que o processo da morte (desencarne), porque toda uma outra perspectiva foi interiorizada, o que me permite hoje relativizar tudo; o resto adquiri através do trabalho do desapego, assim como o confiar… confiar sempre que se viver em consciência, com a energia correcta, nada me será negado.»

Nota: A palavra medo provém do latim «metus», que significa inquietação, temor, ansiedade

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