domingo, 25 de fevereiro de 2018

Parábola da Formiga Desmotivada


Texto adaptado: Domingos Valente

Havia uma formiga que todos os dias chegava cedo ao trabalho e fazia tudo com dedicação e excelência. Ela era produtiva e feliz!

Como a formiga era muito dedicada, trabalhava por conta própria. Um dia, o gerente Escaravelho percebeu que a formiga estava a trabalhar sem supervisão e teve uma ideia: «Se ela era tão produtiva sem supervisão, imagine-se então se fosse supervisionada!»

Então, colocou uma Barata como supervisora. Essa barata era muito experiente e competente, seus relatórios eram impecáveis!
Na sua nova função, a primeira medida que a Barata tomou foi padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Depois, chamou uma secretária para a ajudar a montar os relatórios e recrutou uma Aranha para organizar os documentos e atender o telefone.

O gerente Escaravelho ficou encantado com o trabalho de qualidade da Barata, e também pediu gráficos com assuntos debatidos em reuniões. Para cumprir melhor a sua função, a Barata contratou uma Mosca e comprou mais equipamentos.
A formiga, que antes era produtiva e feliz no seu trabalho, começou a sentir-se reprimida no meio de tantos papéis, aparelhos e reuniões.

Com toda a evolução daquele departamento, o Escaravelho sentiu que era o momento de contratar um gestor para a área onde a formiga trabalhava.  
A escolhida para o cargo foi uma Cigarra, que, muito exigente, mandou decorar  a sua sala.

Não demorou muito para que a nova gestora precisasse de equipamentos pessoais de trabalho e de uma assistente. Foi escolhida a Pulga, que já tinha trabalhado com ela anteriormente. Juntas, elas elaboraram uma estratégia de melhorias para o departamento e um controlo de orçamento para a área onde a formiga trabalhava, que a cada dia ficava mais triste e desmotivada!

Domingos Valente, o autor do post. Um alerta
para organizações amantes de cargos e títulos
A gestora Cigarra conversou com o gerente Escaravelho para lhe mostrar que precisavam investir num estudo ambiental. O Escaravelho concordou, mas, ao analisar as finanças, percebeu que a unidade onde a formiga trabalhava já não rentabilizava como antigamente e, por esse motivo, contratou a Coruja, que era uma consultora muito reconhecida e famosa, para fazer um diagnóstico da situação.
A Coruja trabalhou três meses nesse diagnóstico e concluiu: existia muita gente na empresa.

Chegou a hora de demitir alguém da empresa, e quem foi a escolhida? 
A formiga, óbvio, porque ela tinha mudado ao longo do tempo, andava desmotivada e não conseguia acompanhar o ritmo da empresa.